Depois do fogo, chuvas ameaçam a recuperação do acervo do Museu Nacional

Depois do fogo, a água: o período chuvoso e a instabilidade climática da primavera carioca entraram no radar de preocupações da equipe de resgate pós-incêndio, formada por dez professores e funcionários do Museu Nacional, destruído pelas chamas no dia 2 de setembro. Encarregados de buscar peças que tenham escapado do fogo, eles estão de olho agora nas chuvas dos últimos dias, que tem alternado com o aumento repentino da temperatura.

O medo é de que os temporais possam danificar ainda mais o acervo que eventualmente conseguiu sobreviver. O temor é que a água levada pelas chuvas favoreçam o aparecimento de fungos, ferrugem e aumente a umidade no terreno. Os danos seriam maiores em alguns tipo de meteoritos e de cerâmica, os que mais correm riscos de serem danificados. Apesar da devastação das chamas e da chuva, a equipe têm demonstrado otimismo, revela o Extra.

O trabalho de arqueologia reúne arqueólogos, pós-graduandos, mestrandos e doutorandos. À frente do grupo está a professora e pesquisadora Cláudia Carvalho, que já foi diretora do museu e é arqueóloga.

— Estamos bastantes preocupados com relação às chuvas. Que ela possa atrapalhar ainda mais um trabalho difícil e delicado na busca do acervo que ainda pode ser recuperado. A gente percebeu, infelizmente, que estamos tendo uma primavera mais chuvosa este ano que em outros. E isso é de fato mais um complicador para o nosso trabalho de resgate — revelou Cláudia Carvalho.

Segundo a professora, há muita expectativa e otimismo com revelação ao material que poderá ser recuperado depois da devastação do fogo.

— A gente tem uma instabilidade no tempo como um todo. Teve dia que tivemos chuva e calor logo em seguida. O que não é bom de forma alguma. Chuva é sempre um complicador, porque acaba expondo o material a umidade excessiva. Principalmente daquele material que está, vamos dizer assim, numa área de difícil acesso e que a gente não consegue no momento alcançar — disse a professora.

O Museu Nacional, segundo seu diretor, Alexander Kellner, precisa conseguir R$ 56 milhões agora. A reconstrução é bem mais cara: serão necessários R$ 300 milhões. Até agora, no entanto, a instituição só recebeu R$ 9 milhões do governo federal, destinados ao escoramento e à cobertura dos escombros do prédio.

A professora Cláudia Carvalho contou que a equipe, com a ajuda da empresa contratada para fazer o escoramento e instalar uma cobertura dos escombros do museu, têm conseguido cobrir, usando lonas, alguns pontos que precisam ser protegidos da chuva.

— A umidade favorece o aparecimento de fungos. Alguns meteoritos, por exemplo, podem sofrer danos com o aumento da umidade. Também correm risco material do acervo em ferro ou outros metais. Eles irão sofrer mais com a chuva e a umidade — revelou a professora.

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