FALTA MERENDA E TRANSPORTE ESCOLAR NA ‘ALAGOAS SUPERAVITÁRIA’ DE RENAN FILHO

ENSINO É RELEGADO AO DESCASO, ENQUANTO RENAN CELEBRA SUPERÁVIT

Informações Diário do Poder

A imagem de gestor e candidato à reeleição “bem sucedido”, vendida em discursos autoelogios do governador Renan Filho (MDB) e na propaganda oficial de progresso no ensino público focado nas escolas de tempo integral, contrastam com a situação de estudantes de escolas públicas estaduais de Alagoas sem transporte escolar, devido a atrasos de pagamentos, e de centenas de alunos pobres sem merenda, desde 2017.

ALUNOS NÃO CONSEGUEM POUPAR TANTO QUANTO O GOVERNO DE RENAN FILHO PARA BANCAR TRANSPORTE E REFEIÇÕES NAS ESCOLAS (REPRODUÇÃO TV PONTA VERDE E WHATSAPP)

Renan Filho celebrou neste início do ano eleitoral o fato de Alagoas estar entre os cinco estados que não tiveram suas contas deterioradas nos últimos três anos de crise, enquanto isso, o ano letivo de 2017 só deve terminar em abril em escolas da capital alagoana em que salas de aula esvaziaram pela falta de pagamento de transportadores escolares desde novembro do ano passado.

O governo do filho do ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), não consegue resolver há mais de um ano o problema da falta de merendeiras para alimentar quase 700 alunos da Escola Estadual Profº Eduardo Almeida da Silva, em Maceió; e ainda cortou recursos para transportar os alunos de escolas da capital. Mas promoveu um oba-oba midiático, para anunciar que o Estado, com políticas públicas em penúria, “manteve superávit com perspectiva estável avaliada pela Standard & Poor’s”, à custa do que já se consegue notar.

“A gente fica com pena, porque são crianças carentes e que precisam de uma merenda, de um lanche. Até fico emocionada, porque eu tenho muita penas das minhas crianças. Hoje é um dia festivo e não tenho nada para oferecer. Fica difícil para a gente, como gestores. A gente não tem como comprar merenda, por que não tem quem faça. ‘Tia, hoje é o quê? Tem merenda, tia?’ E a gente fica sem resposta convincente, porque não depende da gente”, disse uma das diretoras da escola, em entrevista à TV Gazeta.

Os alunos da Escola Estadual Professor Mário Broad, no bairro da Jatiúca, divulgaram vídeos reclamando da falta de transporte e exibindo salas esvaziadas, enquanto o vice-governador e titular da pasta da Educação, Luciano Barbosa (MDB), investiu parte de seu tempo de expediente dessa quarta-feira (21) numa “aula inaugural”, com ano letivo atrasado, literalmente em um teatro da capital alagoana, no qual pediu para estudantes presentes para não abandonarem as escolas, onde não têm conseguido sequer chegar.

Vejam o apelo dos estudantes que não conseguem poupar tanto quanto o governo de Renan Filho, para bancar as passagens diárias para ir às aulas:

Os problemas se proliferam a ponto de a Justiça de Alagoas exigir que o governo do economista Renan Filho oferte vagas na Escola Estadual Professor Saturnino de Souza, no município de Matriz de Camaragibe, na região Norte de Alagoas. O motivo do problema foi a rejeição de pais e alunos à política pedagógica de uma nova escola de tempo integral e, novamente, por falta de transporte escolar.

No interior de Alagoas, onde o governo optou por realizar convênios entre prefeituras e o Estado, outro vídeo que viralizou esta semana foi de uma aluna da zona rural que não conseguia frequentar uma escola estadual do município de Chã Preta, por falta de transporte escolar.

Quando explicou sobre a falta de merendeiras na escola estadual do bairro de Garça Torta, que se estendeu de 2017 até este mês de fevereiro do 2018 eleitoral, a Secretaria de Educação de Alagoas disse haver um processo de “readaptação de servidores”, além de ter dito que “já foi” aprovada e sancionada por Renan Filho uma lei que autoriza a realização de um “processo seletivo” para contratar profissionais, não se sabe quando.

O nível de competência e compromisso do governo do MDB de Alagoas com o  transporte escolar, o próprio vice-governador explica: “Onde houve municipalização, está em ordem e em dia o pagamento dos ônibus, porque é feito convênio e o recurso é repassado direto da secretaria de estado da educação para as secretarias municipais; onde não há municipalização, houve um atraso porque a Secretaria da Fazenda cancelou os empenhos dos meses de novembro e dezembro [de 2017], ainda no final do ano. Essa semana a Secretaria da Fazenda, entendendo essa nossa necessidade, liberou os empenhos e até sexta os pagamentos serão feitos”, disse o vice e titular da Educação, ao Diário do Poder.

Enfim, enquanto o governador trabalha na exibição do ouro de tolo produzido pelo seu governo “austero”, os alunos pobres da rede educação pública de Alagoas esperam Renan Filho aprender o que fazer com o fato de a variação do resultado fiscal de Alagoas ter atingido 4,9 pontos positivos, passando de um déficit acumulado de R$ 548 milhões, entre 2011 e 2014, para um superávit de R$ 943 milhões, nos últimos três anos.

 

Davi Soares-Diário do Poder

 

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