Incluir para transformar: Aulas de música no Cenarte vêm mudando a vida de alunos cegos

O Centro de Belas Artes de Alagoas (Cenarte), equipamento cultural da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), funciona como grande apoio de fomento a cultura em Alagoas. Oferecendo cursos diversificados para pessoas de todas as idades, o Cenarte tem se tornado mais que uma escola. Entre as salas de aulas que se dividem em informática, dança, balé e tantos outros segmentos, é a música que vem se tomando o papel principal na vida de alunos especiais.

Desde o segundo semestre de 2018, o Centro tem acolhido alunos deficientes visuais. A procura, que já era antiga, finalmente virou oferta. “Ao todo tenho duas turmas com 11 alunos cada, todos deficientes visuais”, conta o professor de violão Paulo Medeiros. “Está sendo uma experiência enriquecedora, eles têm a audição bem aguçada. Acabo aprendendo também. Além disso, nós incentivamos bastante para que eles aprendam o braile, já que muitos deles ainda são muito resistentes”, explicou.

Para o professor, que também aprendeu a tocar vilão no Cenarte ainda jovem, a música tem dado um novo sentido a vida de seus alunos. “É uma forma deles se sentirem capazes, isso afeta a autoestima deles, dando incentivo para que façam outras coisas, se sentindo parte de um grupo. Além do mais, eles se adaptam muito bem a qualquer coisa. A prova disso foi a apresentação no encerramento dos cursos do Cenarte, no Teatro Deodoro, onde eles foram aplaudidos de pé, a pedidos de bis. Foi muito gratificante pra mim como professor e para eles como alunos”.

Para o professor de Teoria Musical, Oseias Parente, que ministra aulas no Cenarte há seis anos, o desenvolvimento dos alunos ao longo do curso é surpreendente. “Eles já compraram seus instrumentos, já se interessaram, queriam gravar vídeos e já tocar músicas. Tudo que eu passo em aula eles pegam super rápido, não tem aquela coisa de deixar para amanhã,  eu trago a aula de hoje e por eles já  adiantaria as aulas da semana.  A música tem sido um momento mágico para eles que estão desenvolvendo seu talento como a área da percussão”, explicou.

“O comportamento deles é como uma pessoa sem limitações, tocando um instrumento de bateria, violão, teclado. Você assistindo ali, mesmo eles não te vendo, só te ouvindo, seguindo suas instruções, para mim isso sim que é a inclusão das mais lindas”.

Para o aluno Everton Menezes, de 25 anos, a música deu um novo caminho à sua vida. “Eu sempre tive vontade de me aproximar da música. Era uma oportunidade que eu aguardava há muito tempo e finalmente chegou. A didática dos professores é muito boa. Eu gosto de todos os instrumentos em geral, tenho vontade de aprender a tocar todos e já toco bateria. A música não ensina só a música em si, ela me guiou pela vida. Fico muito feliz de ter essa oportunidade”.

Ainda este ano, alguns projetos podem sair do papel. “Os alunos agora querem aprender novos instrumentos, também está havendo um interesse de pessoas com Síndrome de Down e deficientes auditivos. A ideia para 2019 é criar uma orquestra inclusiva de música popular”, conta Paulo.

Ascom – 02/05/2019

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